O Nacionalismo Económico de Salazar: 1930-1974
O ESTADO NOVO (O Nacionalismo Económico de Salazar):
1930-1974
·
No
dia 05 de Outubro de 1910, Teófilo Braga
liderou o governo provisório em Portugal com a queda da monaquia. Era a criação
da República de Portugal;
·
Depois da queda da
Monarquia, as condições de vida continuavam precárias, e isso se voltou a agravar
por causa da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), na qual Portugal e nas
colónias conheceram muitas greves o que condicionou o termo da Primeira
República;
·
No dia 28 de Maio de
1926, os militares chefiados por General
Gomes da Costa fizeram Golpe militar, era o fim da primeira Républica
(1910-1926) e instaurou-se a ditadura fascista e o Estado Novo (1933-1974);
·
No periódo de
1890-1930, a moeda que tinha peso era Libra esterlina, essa que vigorava nas
Companhias de Moçambique, nos caminhos de ferro e portos de Moçambique, nas
minas e plantações da África do Sul;
·
Com
a queda da Primeira República, Oliveira Salazar
(professor universitário) foi convidado para ocupar o cargo de Ministro das
Finanças em 1928, e ascende rapidamente na hierarquia governativa como ministro
das Colónias em 1930, e em 1932 como Primeiro-Ministro de Portugal.
O ano de 1930 é
caracterizado pela crise económica mundial. Devido a crise, as colónias
portuguesas passaram a contar com as suas receitas, como fonte quase exclusiva
de financiamento.
O nacionalismo económico de Salazar ou
Estado Novo tinha como objectivos:
·
Acabar com o “caos”
administrativo;
·
Acabar com o domínio do
capital estrangeiro não português;
·
Garantir a
centralização administrativa;
·
Intensificar as
culturas forçadas e os impostos.
Para acabar com
o “caos” administrativo e o domínio do capital estrangeiro não português, o
Estado Novo do António de Oliveira Salazar teve de adoptar uma política
centralizada em torno das Colónias quebrando a política de autonomia que
vigorava desde 1914. Foi nesse âmbito que a Companhia do Niassa foi encerrada,
em 1929. Em 1942, foi a vez da companhia de Moçambique.
Com o
encerramento das duas Companhias Majestáticas, Portugal conseguiu unificar todo
o território nacional (Moçambique).
Os fundamentos
do Estado Novo foram implementados por António Oliveira Salazar (1930-1968),
portanto era um regime ditatorial (fascismo português) que tinha um carácter
autoritário, nacionalista e anti-comunista.
O Nacionalismo
do António de Oliveira Salazar tinha dois (2) documentos fundamentais: Acto Colonial e Carta orgânica do Império
Colonial Português (1930).
O período de 1930-1962 é do apogeu do colonialismo
português, pois Portugal:
·
A partir de 1930, o
governo colonial português transformou o Sul de Moçambique (Sul do Paralelo 22º) numa reserva de
mão-de-obra para as minas da África do Sul, por isso o governo colonial ganhava
divisas com essa mão-de-obra;
·
Conseguiu administrar
todo o país formalizou aliança com a Igreja Católica. A Igreja católica assumiu
o papel do educador e civilizador do africano que era visto como selvagem;
·
Encerrou as Companhias
Majestáticas do Niassa (1929) e de Moçambique (1942);
·
Criação da zona de
escudo (1932) com o objectivo de proibir o uso da moeda esterlina
(estrangeira), centralizando todas as dívisas nos cofres do Estado;
·
Em 1937, criação de
planos fomentos para absorver uma massa enorme de desempregados em Portugal;
·
Em 1938, criou-se a
JEAC (Junta de Exploração do algodão Colonial), incrementando a agricultura
familiar de culturas obrigatórias de algodão para fornecer a indústria textil
portuguesa;
·
Fim do domínio do capital
estrangeiro não português;
·
Centralização de poderes
legislativos e financeiros nas mãos do ministro das colónias;
·
As colónias tem a
função de exportar matéria-prima para a metrópole e consumir os produtos
manufacturados de má qualidade vindos da Europa;
·
Prática do racismo e da
censura de informação nas rádios e jornais;
·
Uso de caderneta de
indfígena para controlar os indígenas;
·
Surgimento de colonatos
do Limpopo (Gaza), de Révuè e Sussundenga (Manica), de Nova madeira nas terras
altas de Lichinga (Niassa) e de Montepuez (Cabo Delgado);
·
O Estado Colonial
passou a controlar a mão-de-obra através da Direcção dos Serviços e Negócios
Indígenas, representada na base pelos administradoress, também conhecidos por
curadores;
·
Abandono de algumas
actividades não rentáveis; e
·
Em 1940, é assinado
entre o governo colonial portugues e o Vaticano a Concordata que, entre outros
aspectos, preconizava a obrigatoriedade do ensino da língua portuguesa aos
indígenas. Assim, houve formalização da aliança entre o Governo Colonial e a
Igreja Católica.
O acto colonial de 1930 - É
um documento que definia os princípios da política colonial e as instituições
que a implementaram. As colónias portuguesas em África passaram a fazer parte
do Império Colonial Português e cada colónia passou a ser chamada por província
ultramarina, como se fosse de mais uma região de Portugal.
O ACTO COLONIAL
era uma espécie de Constituição para os
territórios ultramarinos, havia definido a administração e a cobrança de
imposto e mesmo a exploração dos portos como competência exclusiva do Estado.
Houve centralização do poderes legislativos e financeiros nas mãos do ministro
das colónias.
Quando se
divulga o acto colonial, Portugal passou a dominar as áreas poltica e económica
das colónias, intensificando-se a exploração colonial. A opressão era praticada
pelos sipaios em conexão com os chefes de postos e régulos; criou-se a Polícia
Política, a PIDE (Polícia Internacional
e de Defesa do Estado) a qual a partir de 1969, passou a chamar-se DGS (Direcção Geral de Segurança) para
controlar as pessoas e reprimí-las. Ainda se fazia o trabalho forçado e o
cultivo obrigatório do algodão, tabaco, cana-de-açúcar, chá e sisal até 1961,
ano da sua abolição..
Em 1951, Portugal
passou a chamar as suas colónias por províncias ultramarinas, como forma de
escapar à pressão internacional e para que não concedesse as independências de Moçambique,
Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé e Princípe.
O CAPITAL COMERCIAL NO QUADRO DA AGRICULTURA
FAMILIAR FORÇADA
A cultura de algodão
Moçambique
desempenhou um papel relevante na exportação da matéria-prima para metrópole,
sobretudo do algodão para as indústrias têxteis portuguesas. A produção do
algodão era feita em regime do trabalho forçado. Os camponeses viam-se
obrigados a cultivar o algodão com os seus próprios meios de produção e a
vender a preços baixos que eram fixados pela companhia.
Em 1938, devido
a maior procura do algodão no mercado internacional, Portugal criou a Junta de Exportação do Algodão Colonial (JEAC)
com sede em Lisboa para estabelecer o maior controlo sobre as companhias
concessionárias em Moçambique.
Depois de
investimento colonial, o rendimento de produção era baixo, pois alguns solos
não eram adequados para o cultivo; houve abandono em massa da população nas
terras aptas para produção; havia resistências dos camponeses ao cultivo
forçado do algodão; enfraquecimento dos solos; redução drástica da produção
alimentar e surgimento de bolsas de fome.
A Companhia de
Algodões de Moçambique (CAM) era a maior concessionária algodoeira e abrangia
quatro (4) províncias: Zambézia, Tete, Manica e Sofala.
A cultura de arroz
Por causa da
Segunda Guerra Mundial, houve escassez de arroz em Moçambique para o
abastecimento da população urbana devido a redução da navegação para os países
produtores como Singapura e Japão (parceiros do regime colonial).
Para inverter a
escassez de arroz, o governo colonial português, em 1942, criou a Divisão do Fomento Orizícola. Que
tinha poderes como da JEAC.
As sementes e
fertilizantes eram distribuídos em saco para os camponeses. O arroz devia ser
vendido aos concessionários (companhias) a preço baixo, tendo cada homem
produzir um hectar e as mulheres meio hectar. Os concessionários processavam e
vendiam o produto enriquecido.
Face esta
situação os camponeses não paravam de emigrar para zonas que não se praticasse
esta cultura, alguns camponeses torravam as sementes antes de lançar a terra.
Outras culturas obrigatórias foram do chá (na Alta Zambézia) do sisal e
cana-de-açúcar.
A POLÍTICA SOCIAL DE SALAZAR (1932-1968)
O papel da Igreja Católica
O objectivo do
ensino colonial era despersonalizar o moçambicano, levando-o assim a negar a
sua cultura, origem, envergonhar-se do seu povo e da sua classe, perder a
iniciativa criadora e só reconhecer e assimilar a cultura europeia e os valores
do colonizador.
Em 1940, a
Igreja Católica e o Estado Português assinaram um acordo ao mais alto nٌível,
uma concordata e o Acto Missionário, que foi assinado
entre os Estados Português e o Vaticano. O governo estabelece subsídios para as
missões, cria colégios masculinos e femininos, institutos de ensino elementar,
secundário e profissional, catecumenatos e hospitais. Mas, nas escolas indígenas
era obrigatório o ensino da língua portuguesa e as línguas indígenas serviam,
apenas, para o ensino da religião.
O ensino para os
africanos tinha dois objectivos: formar o africano como intermediário entre o
Estado colonial e as massas; e inculcar uma atitude de servilismo nos africanos
educados, tudo isso foi formulado na Carta Pastoral do Cardeal Gouveia.
OS COLONATOS EM MOÇAMBIQUE
Os primeros
portugueses enviados após 1930, no Novo Estado Português, fixaram-se em lugares
denominados “colonatos”. Eles eram chamados por colonos.
O objectivo da
criação de colonatos era de aproximar os africanos aos brancos, como forma de
civilizar o africano de modo a usufruir dos mesmos direitos, através da criação
de bons hábitos, civilização e assimilação da cultura europeia.
Nos colonatos
desenvolviam-se actividades agrícolas, pecuária e algumas indústrias
transformadoras ligeiras (alimentar).
Os colonatos
criados em Moçambique foi entre 1945-50 e 1960 que se localizavam nas seguintes
regiões:
§ Colonato
do Limpopo (Gaza – 1954)
§ Colonato
de Révuè e Sussundenga (Manica)
§ Colonato
de Nova Madeira (Niassa).
OS PLANOS FOMENTOS
Em 1937 foi
publicado o plano de fomento sexenal
(de 6 em 6 anos) que seria financiado
com os excedentes acumulados e pelas receitas dos caminhos de ferro e
portuários. O plano era a construção de Caminho de Ferro para o interior da
Ilha de Moçambique. A criação do esquema de irrigação no Vale do Limpopo e do
Umbelúzi, o caminho de ferro para Tete, o desenvolvimento do corredor de Nacala
e alguns investimento agrícola e rodoviário, mas tudo foi interrupido pela
Primeira Guerra Mundial (1939-1945).
Em 1947,
Portugal concedeu a Moçambique um empréstimo de 10 milhões de libras para
realizar alguns projectos na década de 1950.
O primeiro plano fomento (1953-1958)
O primeiro plano
fomento de Portugal era promover a imigração branca, para criar centros de
população branca que pudessem contribuir para a nacionalização do território.
A principal obra
do plano fomento foi o caminho de ferro Lourenço Marques-Malvérnia (300km) concluído
em 1956, para servir os países do interland.
O segundo plano fomento (1959-1964)
Era para dar
continuidade com o plano anterior. Os sectores prioritários eram:
§ Povoamento
dos colonatos (particularmente em Limpopo)
§ Comunicações
e transportes
§ Aproveitamento
de recursos agrícolas, florestais, pecuários, hidroagrícolas, hidroeléctricos,
estudos cartográficos e geológicos.
O terceiro plano fomento (1965-1967)
Coincidiu com o
início da luta armada em Moçambique. Este plano visava a aceleração do
crescimento da produção nacional.
Um elemento foi à
repartição mais equilibrada do rendimento nacional nos povoamentos do Vale do
Limpopo, Vale de Révuè, no povoamento baseado na cultura de chá, do tabaco, de
arroz e do algodão.
NB: A barragem
de Cahora-Bassa foi construída no âmbito da política de “portas aberta” que
permitia o investimento do capital não português.
Comentários
Enviar um comentário